A cárie dentária continua sendo o principal problema de saúde bucal dos brasileiros e apenas 0,2% da população de idosos no país não possui nenhum dente cariado. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, realizada em 2010 pelo Ministério da Saúde.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, ter cáries ou perder os dentes na terceira idade não é algo natural, apesar de muito frequente. A professora Maria Luiza Moreira Arantes Frigerio (CROSP 17742), coordenadora do programa Envelhecer Sorrindo, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que é possível chegar a idades muito avançadas mantendo todos os dentes, mas, para que isso aconteça, é preciso cuidado e prevenção.

“A perda de dentes se deve muito a questões culturais, pois antigamente a higiene bucal não era um hábito. Era comum perder os dentes, pois os pais perdiam, então o processo era percebido como natural”, comenta a especialista.

A professora esclarece que outra possível causa para perda de dentes na terceira idade é que após a faixa dos 35 anos geralmente as pessoas passam a ter mais problemas de gengiva, e não especificamente nos dentes, o que normalmente não causa incômodo. Por não sentirem dores, os pacientes demoram mais para ir ao dentista, o que prejudica a prevenção de disfunções que poderiam ser descobertas precocemente em uma consulta de rotina. “Se a pessoa fizer uma consulta a cada seis meses, além de cuidar da saúde bucal, consequentemente irá gastar menos, pois na maioria dos casos não terá que recorrer a procedimentos como implantes e coroas”, alerta a professora.

A especialista em odontogeriatria explica, também, que antigamente a odontologia era mutiladora: para prevenir infecções, uma das opções utilizadas era arrancar os dentes ao menor sinal de problema. Com os avanços da farmacologia e das tecnologias, medicamentos foram criados e as informações começaram a alcançar pessoas de todas as idades, favorecendo a conscientização sobre a importância de bons hábitos de higiene bucal.

De acordo com Frigerio, visitas ao dentista na terceira idade podem ajudar a detectar inclusive indícios de processos demenciais. “Quando as pessoas começam a ter muitas dores e o dentista não encontra nada que justifique tais queixas, o profissional pode sugerir uma avaliação especifica para o diagnóstico de alguma possível deficiência cognitiva”, afirma.

A perda dos dentes pode acarretar uma série de problemas que impactam na alimentação, autoestima, sociabilidade e até na forma de pronúncia de algumas palavras, que sem os dentes não é feita de maneira correta. “Associando sinais e sintomas percebemos que um dos desencadeadores da depressão é a perda dos dentes. As pessoas idosas já estão em um processo de mudanças físicas, e issoé muito significativo. Mas é preciso pensar nos aspectos positivos que a maturidade traz. Ganha-se tranquilidade, paz de espírito e experiência, entre muitas outras coisas”, comenta a professora.

Para não entrar nas estatísticas por cáries ou falta de dentes, as dicas da especialista são as seguintes: boa escovação, utilização do fio dental, visitas ao dentista a cada seis meses e alimentação balanceada.“Bons hábitos de higiene e alimentação devem ser ensinados desde a infância, assim teremos uma população com uma boa saúde bucal e, consequentemente, com dentes saudáveis até idades muito avançadas”, finaliza a dentista.

Via: MSN